terça-feira, 29 de junho de 2021

 

Arte de Xávega á maneira antiga  - Mira

xávega é um tipo de pesca artesanal  feita com  um equipamento que é composto dum longo cabo com flutuadores, tendo na sua  parte média uma rede terminada por um saco de rede de forma cónica.

O aparelho é lançado de um barco que deixa em terra uma das extremidades do cabo e vai largando cabo pelo mar adentro até chegar à zona da rede, que é largada paralelamente à costa. O barco regressa a terra, largando a outra metade do cabo com os flutuadores e é retirado do mar. O aparelho é tracionado para terra pelos 2 cabos simultaneamente. Tradicionalmente a tracção era efectuada por duas juntas de bois, em cada cabo,  a trabalharem alternadamente e apoiadas pela equipa de homens que fica em terra. Actualmente os bois foram substituídos por potentes tratores que facilitam a entrada do barco no mar, a sua retirada, a tracção da rede e todos os trabalhos penosos que esta actividade  implica.

Em 1987, fui dispensado do trabalho nos Hospitais da Universidade de Coimbra, pelo director do Serviço de Ortopedia, durante o mês anterior ao exame final do Internato de Ortopedia, como era habitual nessa altura. Um colega e amigo, o Dr. Altino Santos,  disponibilizou-me  a casa que a sua família tinha na praia de Mira, para melhor me poder isolar e concentrar na preparação do exame.

Para descansar dos períodos de estudo, pegava na máquina fotográfica e ia espreitar o trabalho dos pescadores, que anteriormente nunca presenciara. Aproveitei para tirar algumas fotografias que hoje publico. Nessa altura não havia máquinas digitais, e os curiosos, como eu, tinham maior dificuldade em tirar boas fotografias, porque entre o momento de fotografar e o de observar o resultado, havia um intervalo de vários dias.




























Depois de recolhida a rede, o peixe era separado por categorias e leiloado na praia.

***

Nessa época começou a ser cada vez mais difícil encontrar quem revelasse as películas a preto e branco, e depois fizesse um boa impressão, aproveitando a qualidade dos negativos. Como não tinha material, nem conhecimento, para fazer esse trabalho, acabei por aderir à fotografia a cores.


























Em próxima publicação mostraremos a prática actual, que substituiu os bois por tratores, aliviando muito o esforço humano despendido nesta actividade. 


































 


Tarrafal de Santiago

A designação de Tarrafal sugere-nos logo o expoente máximo da repressão salazarista, o chamado campo da morte lenta, mas há que distinguir a colónia penal e a povoação do Tarrafal tão distintos como o inferno e o paraíso. 


Aspecto geral da instalação provisória do campo de concentração. Autor desconhecido, 1937/38. DGPC





A construção do Campo de Chão Bom, localizado a poucos quilómetros da povoação do Tarrafal da ilha de Santiago, em Cabo Verde, foi ordenada por Salazar em 1935 (Decreto-Lei n.º 26.539), para afastar e eliminar os seus opositores. Logo se transformou num presídio tenebroso, dirigido por Manuel dos Reis, que afirmava aos presos: : “Vocês aqui não têm direitos. Só têm deveres a cumprir! E não se iludam: quem entra aquele portão é para morrer! […] Vão todos cair como tordos!”.

O médico de serviço do campo, Esmeraldo Pais, terá mesmo afirmado não estar ali para curar, mas para assinar certidões de óbito.

De facto, no tempo do seu funcionamento que decorreu entre 1936 e 1954, morreram 32 dos 357 reclusos para lá enviados.

Esteve preso um mortaguense neste campo. Trata-se de Basílio Lopes Pereira, que aí permaneceu entre 1 de março de 1940 e 1 de Junho de 1942.

Encerrado em 1954, pelo ambiente internacional desfavorável resultante do fim da segunda grande guerra, seria reaberto em 1961, pelo ministro do Ultramar, Adriano Moreira, mas agora destinado aos membros dos movimentos independentistas das colónias. Por lá passaram 227 presos de Angola, Cabo Verde e Guiné

Encerraria definitivamente como presídio no dia 1 de Maio de 1974.

Depois disso funcionou como aquartelamento militar, depois da independência


Em 1996 visitei Cabo Verde pela primeira vez e tive a curiosidade de visitar o campo do Chão Bom. Nessa altura encontrava-se abandonado e bastante degradado. Sei que entretanto terá sido transformado no Museu da Resistência de Cabo Verde.

Dessa primeira viagem guardei algumas fotografias

entrada


cozinha 
cela
Holandinha
posto médico

Entretanto a poucos quilómetros de distância deparamo-nos com a povoação do Tarrafal e com uma das mais belas praias de Cabo Verde.

Alguns anos mais tarde, voltei ao Tarrafal onde fiquei instalado durante uma semana. Desse local guardo boas recordações, de que deixo algumas imagens fotográficas.



restaurante junto à praia


empreendimento turístico

a tocar uma morninha
Luisinha à porta do alojamento
Visitas no aldeamento



restaurante junto à praia
Por do sol encantador