domingo, 29 de agosto de 2021

 

Fitas das Queimas


Por um acaso da História, fiz o meu percurso universitário sem ser submetido a praxes, nem participar em Queimas das Fitas e outras manifestações da condição de estudante.

Pessoalmente nunca senti falta dessas actividades, e penso que o seu recomeço, após vários anos de suspensão, não vieram trazer nada de positivo à vida estudantil. Muito pelo contrário, vieram dar oportunidade ao aparecimento de comportamentos condenáveis a todos os títulos, e à generalização de atitudes menos corretas como se fossem as mais naturais do mundo.

Uma bela noite de Maio de 2003, fui beber um copo à Diligência, um bar que há muito frequentava, e onde por vezes tocava viola e cantava umas baladas do Zeca Afonso ou do Adriano. Para mim era a oportunidade de encontrar outras pessoas que gostavam de ouvir ou cantar a Canção de Coimbra ou o fado de Lisboa.

Pois nessa noite o ambiente estava alterado pelo comportamento pouco cívico de uns quantos estudantes de capa e batina, que se exibiam alcoolizados e mal-educados.

Vendo a noite estragada por aqueles energúmenos, escrevi estas reflexões na toalha de papel da mesa onde estava sentado.

Possívelmente, saí de Coimbra antes da maioria dos meus visados….


“Cunha” à Academia

Desta velha Academia

tão sombria e tão vetusta

educar e dar saber

devia ser  causa justa

Mas por suprema ironia

em vez de gente prá luta

tem dado a esta Nação

a nata dos filhos da p_t_

Deu ditadores, cardeais,

praxistas e outros mais...

Vestem de capa e batina

ouvem só a própria voz

que julgam de ave canora

Todo o mundo lhes pertence

já , aqui e agora!...

Por favor, Academia

“de qualquer forma, sei lá...”

se um canudo os convence

dá-lhes o curso depressa

e manda-os daqui pra fora!

Nós ficamos por cá...

 

Ferreira Mendes

Queima das Fitas

2003-05-09

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