Fitas das Queimas
Por um acaso da História, fiz o meu percurso
universitário sem ser submetido a praxes, nem participar em Queimas das Fitas e
outras manifestações da condição de estudante.
Pessoalmente nunca senti falta dessas actividades, e
penso que o seu recomeço, após vários anos de suspensão, não vieram trazer nada
de positivo à vida estudantil. Muito pelo contrário, vieram dar oportunidade ao
aparecimento de comportamentos condenáveis a todos os títulos, e à
generalização de atitudes menos corretas como se fossem as mais naturais do
mundo.
Uma bela noite de Maio de 2003, fui beber um copo à
Diligência, um bar que há muito frequentava, e onde por vezes tocava viola e
cantava umas baladas do Zeca Afonso ou do Adriano. Para mim era a oportunidade
de encontrar outras pessoas que gostavam de ouvir ou cantar a Canção de Coimbra
ou o fado de Lisboa.
Pois nessa noite o ambiente estava alterado pelo
comportamento pouco cívico de uns quantos estudantes de capa e batina, que se exibiam
alcoolizados e mal-educados.
Vendo a noite estragada por aqueles energúmenos,
escrevi estas reflexões na toalha de papel da mesa onde estava sentado.
Possívelmente, saí de Coimbra antes da maioria dos
meus visados….
“Cunha” à Academia
Desta velha Academia
tão sombria
e tão vetusta
educar e dar
saber
devia
ser causa justa
Mas por
suprema ironia
em vez de
gente prá luta
tem dado a
esta Nação
a nata dos
filhos da p_t_
Deu
ditadores, cardeais,
praxistas e
outros mais...
Vestem de
capa e batina
ouvem só a
própria voz
que julgam
de ave canora
Todo o mundo
lhes pertence
já , aqui e
agora!...
Por favor, Academia
“de qualquer
forma, sei lá...”
se um canudo
os convence
dá-lhes o
curso depressa
e manda-os
daqui pra fora!
Nós ficamos
por cá...
Ferreira Mendes
Queima das
Fitas
2003-05-09
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