Homem Orquestra
Na segunda metade dos anos oitenta,
durante vários anos passei férias na praia de Mira, geralmente acampado no parque municipal, ora em tenda de campismo, ora na roulotte que o meu pai
me disponibilizava quando as minhas filhas vinham passar férias comigo.
Tenho boas memórias dessas férias,
que beneficiavam do facto de eu anteriormente ter estabelecido relações de
amizade com vários residentes da localidade.
Mesmo entre os frequentadores do
parque havia um bom ambiente de convívio, dinamizado por campistas que há muito
ali passavam as férias. Ainda me lembro dos convívios musicais que ocorriam na
zona das tendas da família e amigos do maestro César Anjo, que, para esse
efeito, deixavam uma pequena clareira entre elas.
Mas hoje quero deixar-vos as
fotografias que tirei deste homem orquestra, que periodicamente aparecia na
esplanada do bar do parque, e de quem, infelizmente, não consigo dizer o nome,
que se perdeu na bruma do tempo.
Conversei com ele. Disse-me que
normalmente trabalhava na agricultura durante todo o ano, mas quando chegava o
Verão tirava uns dias para se vestir a preceito, pegar nos seus instrumentos, e
ir até aos locais onde se juntavam os turistas mostrar as suas capacidades
musicais.
A iniciativa era compensadora do ponto de vista da convivência com outras pessoas, e era economicamente rentável. A execução podia não ser a melhor, mas a música era muito animada.


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